Espetáculo reúne artistas e ativistas em defesa do meio ambiente, na capital

Belo Horizonte, MG – A Aliança em Prol da APA da Pedra Branca participou, na noite da última quinta-feira (21), do show Paixão e Fé – Manifesto, no Teatro Francisco Nunes, em Belo Horizonte. Idealizado pela cantora Titane e pelo pianista Túlio Mourão, o espetáculo reuniu músicos mineiros e representantes de movimentos sociais que falaram de suas experiências em cidades que enfrentam problemas decorrentes da mineração.

O show foi um grande encontro promovido por Titane e Túlio Mourão com as mais de dez cidades mineiras que receberam a turnê de Paixão e Fé, em 2018. O espetáculo passou por municípios que enfrentam problemas com a mineração e o projeto se tornou um especial de televisão veiculado pela Rede Minas. O espetáculo também teve a participação especial de Flávio Venturini, Pereira da Viola, Aline Calixto, Deise Lúcia, Luiz Gabriel Lopes, Mariana Cavanellas, Emilio Dragão e Renato Saldanha.

O presidente da Aliança em Prol da APA da Pedra Branca, Daniel Tygel, contou a trajetória da exploração mineral em Caldas, a partir do urânio, com a chegada da antiga Nuclebras, hoje INB (Indústrias Nucleares do Brasil), que preocupa a região com a incerteza sobre a segurança de suas barragens e a presença de lixo radioativo em seus depósitos. Em seguida, ele falou da chegada das mineradoras de granito e da aprovação da Lei Municipal que criou a Área de Proteção Ambiental do Santuário Ecológico da Pedra Branca, cujo artigo 51 foi contestado pelas empresas, alterado pela Câmara Municipal em 2017 e sancionado pelo poder executivo. A lei original diz que as lavras existentes poderiam continuar com licença de operação, mas sem que houvesse expansão de suas atividades, e ainda que novas empresas não poderiam ser instaladas. As mudanças foram contestadas em todas as instâncias judiciais e, por fim, o STF (Superior Tribunal Federal) julgou que a lei de 2006 é regular e constitucional.

Ainda em sua fala, Daniel destacou ações que são fomentadas pela Aliança nas áreas de Cultura Popular, Turismo e Agroecologia, por meio do fomento de atividades econômicas sustentáveis no município de Caldas em parceria com outras organizações, inclusive estrangeiras, como a Pacific Asia Resource Center, do Japão, que apoia um projeto de agricultura orgânica em Caldas.

No palco, representantes de diversas outras entidades contaram suas experiências contra a sanha das mineradoras em suas localidades, como o MAB (Movimento dos Atingidos por Barragens) e o MAM (Movimento pela Soberania Popular da Mineração). Raiara Pires disse que o MAM, em Paula Cândida, cidade da Zona da Mata, conseguiu barrar a construção de um mineroduto que transportaria minério de ferro para o mar, por meio de tubos de água limpa, retiradas das serras de Minas com esta única finalidade. Frei Gilberto Teixeira, de Belisário, município de Muriaé, contou como a comunidade resiste à chegada de uma grande empresa mineradora de bauxita. O diretor do Museu de Congonhas, Sérgio Rodrigo, destacou os problemas sociais causados pela mineração na cidade histórica, que guarda as relíquias “dos profetas de Aleijadinho” e que paradoxalmente convive com 24 barragens em seu entorno.


Fotos de Rafael Melo

Posted by Aliança em Prol da APA da Pedra Branca on Monday, February 25, 2019